Título original: Romancing the Stone
Joan Wilder é uma jovem escritora que vive mais no mundo da fantasia do que na realidade.
Ela acredita – e espera – que um dia vai viver uma história de amor com um homem tão perfeito quanto os heróis de seus livros. Por isso, não se interessa pelos homens de verdade que estão ao seu redor.
Mas, ao contrário de suas personagens, que vivem aventuras e paixões arrebatadoras, Joan leva uma vida sem graça. Seu gato Romeu é sua única companhia. E, embora fiel, ele não é capaz de afastar a solidão.

Tudo muda quando Joan recebe um telefonema: sua irmã foi sequestrada em Cartagena, na Colômbia, e só será libertada se Joan entregar um misterioso mapa do tesouro. A escritora parte sem pensar duas vezes, mas pega o ônibus errado e acaba perdida no meio da selva. É lá que conhece Jack Colton, um aventureiro que, em troca de 375 dólares, aceita ajudá-la a encontrar um telefone. O que começa como um acordo rápido se transforma numa jornada cheia de perigos, reviravoltas e descobertas.

O arco da protagonista
Por trás de qualquer boa aventura, existe um bom protagonista. E personagens interessantes não são planos: eles têm camadas, dilemas, e precisam mudar ao longo da história. É isso que chamamos de arco de personagem.
No caso de Joan, não conhecemos em detalhes o seu passado. Mas o roteiro nos dá pistas preciosas:
- Ela é bem-sucedida profissionalmente, mas isolada na vida pessoal;
- Vive tão imersa em seu mundo fictício que quase esquece de viver o real;
- Sua editora e única amiga, Gloria, chega a sugerir que Joan não se interessa por homens porque já é apaixonada por seu personagem Jesse – ou, pelo que ele simboliza: coragem, perfeição, cavalheirismo.
Além disso, Joan não tem autoconfiança. Logo no início, vemos isso numa cena aparentemente banal: ao sair para encontrar Gloria, ela é abordada por um vendedor insistente de rua. Joan tenta recusar a oferta de um macaco de pelúcia, mas sem firmeza. É um detalhe que revela muito: ela não sabe dizer “não”, não encara o mundo de frente.

Outro detalhe está em sua aparência. Apesar de ser bonita, ela não se cuida. Enquanto Gloria surge maquiada e arrumada, Joan aparece desleixada, com um coque frouxo e sem maquiagem. Não é apenas estilo: é um reflexo de sua insegurança.
O que Joan deseja?
De imediato, Joan quer salvar a irmã. Esse é o objetivo que move toda a trama. Mas, no fundo, o conflito é outro: ela precisa aprender a confiar em si mesma e abandonar a ideia de que só a ficção pode lhe oferecer intensidade.

A aventura na selva não serve apenas para entregar o mapa. Ela é o palco onde Joan é obrigada a tomar decisões, enfrentar o desconhecido e descobrir sua própria coragem.
E o roteiro deixa isso bem claro ao usar uma técnica chamada mirror scene.
No início, Joan não consegue se desvencilhar dos vendedores insistentes. No final, já transformada, ela passa pelo mesmo grupo com firmeza, de cabeça erguida, sem medo de encarar o mundo.
Tema central: vida real vs. ficção
O arco de Joan é construído sobre essa pergunta: será que a vida real pode ser tão emocionante quanto a fantasia?
No começo, a resposta dela é “não”. Mas, ao lado de Jack Colton – um homem cheio de falhas, mas também de coragem – ela descobre que a realidade pode ser tão arrebatadora quanto qualquer romance.
No fim, o verdadeiro tesouro não é a esmeralda, mas a coragem de viver sua própria história.
Se você ainda não assistiu a Tudo por uma Esmeralda, coloque na sua lista. Além de ser uma aventura divertida e cheia de reviravoltas, o filme é um prato cheio para quem gosta de analisar personagens. Assista com atenção à jornada de Joan Wilder: cada detalhe da sua transformação revela como a construção de uma protagonista pode ser tão envolvente quanto a própria trama.

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